segurança do paciente

Ao contrário do senso comum, que restringe a ideia de saúde à não existência de uma doença, esse conceito vai bem além. Como bem sabem os profissionais da área, ele engloba também bem-estar físico, mental e social e qualidade de vida. E nesse universo se enquadra um ponto fundamental: a segurança do paciente. Embora se trate de um tópico ainda pouco debatido, o tema vem atraindo cada vez mais atenção por sua importância. Tanto que foi criada uma data global em alusão ao assunto: o Dia Mundial da Segurança do Paciente, celebrado em 17 de setembro.

A questão pode até parecer corriqueira, parte da rotina de qualquer serviço de saúde – seja um consultório, seja um hospital de grande porte. Mas na realidade, o assunto é bem mais complexo e amplo. Ele envolve uma série de ações e protocolos com o objetivo de se reduzir ao mínimo possível o risco de causar danos desnecessários relacionados a tratamentos de saúde.

Maior parte dos eventos adversos pode ser prevenida com medidas de segurança do paciente

Só para se ter uma ideia, no Brasil, a incidência dos chamados eventos adversos durante tratamentos de saúde é de 7,6%. Desse total, 66% poderiam ser prevenidos Nos EUA, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), as estimativas são de que entre 210 mil e 400 mil pessoas morrem todos os anos por problemas evitáveis durante cuidados hospitalares.

Para ajudar a diminuir esses números, o Ministério da Saúde implantou, em 2013, o Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP). A iniciativa tem como pontos de partida os 6 protocolos básicos recomendados pela OMS.

Neste artigo, além de listarmos todos eles, detalhamos como adotá-los na prática diária de médicos tanto em consultórios quanto em ambientes hospitalares. Juntas, as ações conseguem reduzir consideravelmente os riscos para os pacientes. Mas elas também são capazes de minimizar problemas para o profissional, evitando questionamentos e responsabilizações por eventuais erros.

Conheça os protocolos de segurança do paciente recomendados pela OMS:

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Identificação do paciente

É o protocolo com a função mais elementar de todas: garantir que a assistência médica seja prestada à pessoa correta. Por isso, a identificação correta é o ponto de partida básico, seja no prontuário do consultório, na admissão para a realização de algum procedimento e até no caso de cirurgias e internações em UTIs.

A melhor forma de assegurar que essa medida está sendo observada é o reforço. Confirmar os dados do paciente incluindo data de nascimento (para evitar a confundir pessoas com nomes iguais) e usar fotos no prontuário são ações que podem ser adotadas por qualquer serviço de saúde. No caso de pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos ou internados, é essencial a colocação de pulseiras de identificação. A presença de acompanhantes, quando possível, também ajuda a minimizar os riscos.

A adoção de um prontuário eletrônico integrado, capaz de armazenar informações detalhadas, imagens, exames e descrição minuciosa do histórico médico é uma forma muito eficaz de otimizar a identificação do paciente. Além disso, ele permite acesso rápido e fácil a dados que os médicos ter em mãos durante a consulta, agilizando e melhorando a prestação da assistência.

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Prevenção de quedas

O objetivo principal desse protocolo é evitar e reduzir a ocorrência de acidentes dentro do ambiente de cuidados com a saúde. Com isso, são diminuídas as quedas e suas consequências, muitas vezes graves e limitantes. Para a implantação adequada dessa medida, é necessário fazer uma avaliação de risco individualizada do paciente. Devem ser levadas em conta condições prévias, idade, deficiências, limitações e até o uso de medicamentos que possam prejudicar o equilíbrio.

Ao mesmo tempo, é preciso também oferecer um ambiente seguro e acessível. Cuidados como iluminação adequada, móveis sem quinas, pisos antiderrapantes e sem desníveis são fundamentais. Um cuidado especial deve ser dispensado aos banheiros, que precisam ser devidamente adaptados com equipamentos que minimizam acidentes e permitam apoio.

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Higiene das mãos

A higienização correta e frequente das mãos tem ligação direta com a prevenção de contaminações. É uma medida essencial para controlar infecções cruzadas não só dentro de hospitais, mas também de clínicas e consultórios. Além da segurança do paciente, a adoção adequada desse protocolo também é uma forma de proteger os profissionais envolvidos no cuidado dos riscos biológicos.

De acordo com a OMS, a higiene das mãos deve ser feita obrigatoriamente em cinco momentos do fluxo de cuidados em saúde:

  1. Antes do contato com o paciente
  2. Antes da realização do procedimento
  3. Depois da exposição a fluidos corporais
  4. Depois do contato com o paciente
  5. Depois do contato com áreas próximas ao paciente
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Segurança cirúrgica

Consiste em medidas para diminuir incidentes, eventos adversos e mortalidade antes, durante a após qualquer cirurgia. O protocolo tem como foco a checagem em três momentos dentro do bloco cirúrgico com a finalidade de garantir que a cirurgia é feita no local correto e no paciente certo.

O protocolo para cirurgia segura implanta a verificação como medida de redução de risco de eventos adversos durante o ato cirúrgico. A verificação ou checagem serve para garantir que a realização da cirurgia no local certo e no paciente certo. Trata-se de um cuidado básico e capaz de evitar consequências sérias, como por exemplo a amputação de um membro errado ou danos a um órgão sadio.

Para uniformizar esse cuidado, a OMS criou um checklist cirúrgico que precisa obrigatoriamente ser realizado em três momentos, e sempre pelo mesmo profissional.

  • Antes da anestesia

Os dados são confirmados com o próprio paciente (nome completo, tipo e local da cirurgia).

  • Antes da incisão cirúrgica

O responsável pela checagem informa verbalmente o procedimento a ser feito e qual a atuação de cada um dos membros da equipe.

  • Antes do paciente sair do bloco

É feita a contagem de instrumentos usados na cirurgia e das compressas, para confirmar que nenhum deles foi esquecido dentro do paciente. Este é o momento em que também se revisam os planos de cuidado e de recuperação após a anestesia

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Segurança na prescrição, uso e administração de medicamentos

As regras desse protocolo buscam garantir e melhorar práticas seguras no uso de drogas farmacêuticas. Ele abrange todas as fases da assistência à saúde do paciente com o objetivo de evitar os chamados erros de medicação. Trata-se de um risco grande e potencialmente grave que envolve várias pessoas e setores – inclusive o próprio paciente – , e por isso merece atenção máxima.

De acordo com as regras de segurança, é necessário revisar toda e qualquer prescrição. Isso inclui a verificação do nome da droga, da apresentação, da dose a ser administrada e da via. Outro ponto do protocolo é com relação aos medicamentos potencialmente perigosos e os de alta vigilância. Por sua própria natureza de maior risco, eles precisam ser checados com ainda mais cuidado para evitar eventos adversos graves.

A explicação detalhada ao paciente sobre a forma de administração do remédio, riscos de interação com outras drogas e alertas sobre possíveis efeitos colaterais que precisam de cuidados adicionais são também uma etapa fundamental nesse momento.

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Prevenção de úlceras por pressão

O intuito do protocolo é prevenir as lesões por pressão em pele e tecidos, muito comuns em pacientes que passam por longos períodos de internamento. Esse risco é maior quando se trata de idosos e pessoas acamadas, que exigem atenção redobrada.

Apesar de corriqueiras, as úlceras por pressão podem implicar consequências sérias, como infecções, dores intensas, necessidades de cuidados adicionais, aumento no tempo de internação e até a morte. Mas a adoção de medidas simples é capaz de evitá-las em boa parte dos casos.

Por isso, é preciso ter atenção a pacientes com maior risco, que devem ser permanentemente avaliados para detecção precoce de alterações. Eles também precisar ser submetidos a cuidados específicos com fisioterapia, mudança frequente de posição, dieta, hidratação e uso de equipamentos como colchões pneumáticos, além de terapias específicas para dor e controle dos ferimentos.

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