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O que 2021 e as consequências da pandemia reservam para o ramo da medicina

Se praticamente todos os setores enfrentam um cenário novo e desconhecido por conta da Covid-19, a medicina certamente é um dos que mais vão precisar se adaptar às várias demandas novas

O que 2021 e as consequências da pandemia reservam para o ramo da medicina

Que enfrentamos um cenário inimaginável em 2020, não restam dúvidas. A pandemia do novo coronavírus obrigou praticamente o Mundo inteiro a se reinventar, mexeu com toda a estrutura econômica, alterou as relações sociais, mudou a forma de se trabalhar e nos colocou em alerta permanente.

 E se no início dessa série de mudanças profundas sobravam dúvidas, mas tínhamos a perspectiva de que tudo voltaria à normalidade em questão de meses, aqui estamos, em 2021, ainda cheios de incertezas. De uma coisa, pelo menos, temos convicção plena. Das muitas adaptações que pareciam temporárias, boa parte delas veio para ficar. E, com isso, as reviravoltas na rotina que aparentemente tinham data certa para terminar precisaram ser incorporadas a essa nova realidade.

Nada foi fácil, é certo, mas mais do que nunca a humanidade provou sua capacidade de adaptação e de resiliência. E se houve uma área que sofreu de forma intensa as consequências dessas transformações foi a medicina. Para além do enorme exército de profissionais atuando na linha de frente do combate à Covid-19, os médicos que seguiram atendendo em suas clínicas e consultórios também enfrentaram uma série de rebatimentos da pandemia. Da necessidade de suspender consultas aos novos protocolos sanitários, da preocupação com pacientes ao boom do teleatendimento, tudo era novo, desconhecido e desafiador.

Imagem: Anna Schvets/Pexels

Mas e agora, diante de tantos aprendizados acumulados ao longo de um ano, será que já é possível projetar um cenário realista para o futuro próximo? O que o campo da medicina nos reserva para 2021, com uma vacinação massiva em curso, mas com a pandemia ainda mostrando força? 

Para avaliar as muitas possibilidades que se apresentam, montamos um material esquematizado para ajudar a entender os principais desafios – e os caminhos que podem ser trilhados a partir deles – ao longo do ano. Com planejamento, serenidade e disposição, é possível desbravar as novas rotas que os próximos meses devem apontar. E esperamos que esse pequeno manual auxilie nessas novas trilhas.

O que vem pela frente: cenários e projeções

Antes de qualquer coisa, é preciso avaliar o cenário macro. Vivemos, no decorrer de 2020, um cenário agudo de uma crise econômica sem precedentes. Com as restrições sanitárias e a necessidade de isolamento social, 1,044 milhão de empresas brasileiras fecharam as portas ao longo do ano. Alguns setores, como o ramo do entretenimento e o comércio, sofreram prejuízos irrecuperáveis. 

A reboque dessa grande pancada na economia, vieram as taxas recordes de desemprego, o que causa um efeito cascata, com menos consumo, menos dinheiro circulando e retração no faturamento. Como forma de socorrer quem ficou sem renda ou teve o salário reduzido, o Governo Federal precisou lançar mão de gastos não previstos no orçamento da ordem de mais de R$ 320 bilhões, como o Auxílio Emergencial e o Benefício Emergencial de Preservação do Emprego.

Além disso, com a prorrogação do Auxílio Emergencial em 2021, os gastos extras dirigidos ao combate da Covid-19 devem chegar em R$ 64,2 bilhões este ano. Neste valor estão incluídos um crédito de R$ 20 bilhões destinados à compra de vacinas e a previsão de mais R$ 10 bilhões em outras despesas de enfrentamento à pandemia.

Esses dados fazem parte do Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF) divulgado pela Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado no dia 22 de fevereiro. Nele, é previsto um crescimento de 3% para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2021, enquanto a estimativa da entidade aponta que, em 2020, a queda do PIB deva chegar a 4,5%. Em termos práticos, o cenário mostra que o Brasil deve seguir com as contas públicas no vermelho até 2030.

Baixe aqui a íntegra do RAF de fevereiro de 2021

Imagem: Pexels

De acordo com o relatório, as incertezas sobre a recuperação da atividade econômica no Brasil persistem: “Desde o relatório de novembro, vacinas foram aprovadas para uso e programas de imunização foram iniciados em vários países – fator preponderante para impulsionar a recuperação da economia. No Brasil, há um lento processo de vacinação em curso, e os riscos de disponibilidade de novas doses e da eficácia em relação às novas cepas do vírus, mais contagiosas, – em um ambiente marcado pela aceleração do número de casos e óbitos -, podem limitar a perspectiva de retomada da economia nos trimestres à frente”, aponta o documento.

Mas a IFI também traçou projeções que consideram cenários otimistas, que envolvem um impulso relevante na economia e taxas médias de crescimento do PIB de 3,5% entre 2023 e 2030. Na perspectiva mais pessimista de toda, em contraste, a instituição enxerga a possibilidade de deterioração da situação fiscal do país, o que levaria a ajustes mais contundentes na política monetária e, consequentemente, um PIB médio de 1,3% entre os anos de 2023 e 2030.

O muitos aprendizados e o que levamos como lições valiosas

Diante desse choque de realidade, vamos voltar nossa atenção a um ramo que obedece a lógicas um pouco diferentes: o da medicina. Se por um lado, temos um país (e o Mundo inteiro) em crise econômica e perspectivas um tanto pessimistas de retomada no curto prazo, a área médica funciona de forma distinta dos demais tipos de serviços. Trata-se de uma área que supre uma demanda permanente, independentemente de um contexto de pandemia. Seus profissionais garantem alguns dos bens mais preciosos do indivíduo e da sociedade: a saúde, o bem-estar e, em casos extremos, a vida. E ao mesmo tempo em que grande parte dos problemas relacionados a eles não são previsíveis nem controláveis, a busca por assistência também não pode esperar.

Imagem: Freepik

Exatamente por isso, a medicina se enquadra entre os serviços considerados essenciais, mesmo quando não ligada ao enfrentamento da Covid-19. E enquanto a pandemia crescia, mostrava suas particularidades e exigia novas demandas, outras doenças, necessidades de acompanhamento e de tratamento, alguns deles urgentes, seguiram existindo paralelamente. Por maior que fosse a necessidade de evitar o risco de contágio, foi preciso manter o mínimo de estrutura em clínicas e hospitais para fazer frente a esses pacientes.

Nesse contexto de se garantir a segurança e a integridade de médicos e de pacientes, veio a solicitação do Conselho Federal de Medicina, sob a forma do Ofício 1756/2020, feita diretamente ao Ministério da Saúde para que fosse dada a autorização ampla de realização de consultas não-presenciais no território brasileiro enquanto durasse a pandemia. Essa modalidade de atendimento era alvo de muitas controvérsias, estava submetida a uma série de normas contraditórias e, até então, só era permitida em condições muito limitadas no país.

Com isso, além da teleconsulta, o aval do Ministério permitiu utilização da telemedicina nos seguintes tipos de assistência médica:

  • Teleorientação, que abrange aconselhamento a distância e o encaminhamento de pacientes que se encontram em isolamento.
  • Telemonitoramento, que permite o acompanhamento médico, de forma não presencial, de parâmetros de saúde e/ou doença.
  • Teleinterconsulta, modalidade que prevê a troca de informações e opiniões entre médicos com a finalidade de diagnóstico ou de prescrição de terapia.
Imagem: Edward Jenner/Pexels

Com o alongamento do período de restrições de circulação de pessoas nas ruas e da necessidade de isolamento recomendadas globalmente pela Organização Mundial da Saúde, o uso de plataformas de atendimento remoto se popularizou. Com isso, tanto para médicos quanto para pacientes – até os mais resistentes à ideia – esse tipo de consulta se transformou no “novo normal”.

As muitas facilidades, que vão desde a comodidade de o paciente ser atendido em casa, não precisar se deslocar até o consultório e possibilidade de ser acompanhado por um profissional de outro estado ou cidade, fizeram com que a medicina a distância viesse para ficar e fosse encarada como modelo ideal para algumas especialidades.

Considerando que a prática foi muito bem-sucedida, espera-se que o atendimento remoto seja enfim regulamentado de forma definitiva no país, o que deve atrair cada vez mais profissionais e pacientes adeptos da modalidade, além de melhorar de forma significativa a assistência em saúde no Brasil.

Para onde olhar e no que focar

Paralelamente a esse marco relevante, que expande o potencial número de clientes do profissional, o teleatendimento também ajudou a desafogar as demandas dos hospitais nos períodos mais críticos. Graças às avaliações e aos acompanhamentos feitos virtualmente, inclusive no Sistema Único de Saúde, foi possível evitar a ida de pacientes às urgências quando não havia de fato a necessidade de assistência emergencial.

Para algumas especialidades, porém – principalmente as que atendem mais demandas eletivas – a suspensão nas atividades de consultórios e clínicas e a queda brusca na procura por consultas foi sentida com mais impacto. Nesses casos, saiu na frente quem se muniu de mecanismos capazes de manter a comunicação com o paciente e oferecer atenção personalizada, como o envio de recomendações e acompanhamento de tratamentos já em curso por meio virtual.

Para outras, como a cirurgia plástica e a dermatologia, o isolamento social, ao contrário do que apontavam as primeiras impressões, se transformou em grande oportunidade de novos negócios. Com os pacientes em casa, trabalhando em home office, a recuperação de tratamentos estéticos se tornou muito mais viável. Embora a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) não disponha de dados atualizados, essa tendência foi constatada em outras frentes.

Imagem: Peoplecrations/Freepik

De acordo com estatísticas do Google, a palavra rinoplastia registrou um crescimento de buscas no Brasil de 4.800% entre março e junho de 2020 em relação aos meses anteriores. O fenômeno foi tão notável entre os cirurgiões plásticos que ganhou até um apelido: “efeito Zoom”, em alusão às videochamadas que se tornaram rotina entre quem passou a trabalhar de casa.

Como as pessoas começaram a se ver muito mais na tela do computador durante as reuniões virtuais, os incômodos com a aparência do rosto, e principalmente do nariz, começaram a se tornar frequentes e despertaram a vontade de realizar o procedimento. Além disso, o uso das máscaras de proteção também funcionaram como uma forma mais fácil de camuflar edemas e equimoses comuns no pós-cirúrgico.

Nos EUA, a American Society of Plastic Surgeons relatou que 55% dos cirurgiões plásticos do país apontaram as injeções de Botox como o tratamento estético mais procurado durante o período de quarentena, enquanto 40% reportaram o implante de silicone nos seios como procedimento mais solicitado. No Brasil, embora não haja estatísticas oficiais, muitos profissionais do ramo perceberam um aumento significativo no fluxo de pacientes, com preenchimento, Botox, rinoplastias, blefaroplastias e colocação de próteses de silicone nos seios liderando o ranking de demandas.

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Como e antecipar à nova realidade e sair na frente nessa grande reinvenção

Fica evidente, portanto, que as perspectivas de clínicas e consultórios no decorrer de 2021 podem superar muitas projeções feitas para a área. Além da procura espontânea de novos clientes por questões de comportamento e consumo trazidas pela pandemia e pelo isolamento social prolongado, houve ainda uma espécie de represamento de pacientes que, em condições normais, teriam procurado assistência, mas por não terem urgência, preferiram aguardar por um momento mais oportuno.

Assim, diante desse cenário desconhecido, mas que vem se provando como um grande gerador de oportunidades, é essencial que os médicos se antecipem às tendências e planejem o quanto antes estratégias para atender novas necessidades. Isso vai permitir a eventual adequação de espaço físico, equipe, infraestrutura e horários de forma articulada, escalonada e racional.

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Acompanhe sua gestão financeira de forma contínua e faça avaliações realistas

Antes de qualquer item, é importantíssimo dedicar atenção especial a um ponto que define a sobrevivência de um negócio: as finanças. É preciso observar o quanto as perdas nos períodos de fechamento e de baixo movimento impactaram suas contas, fazendo a análise mês a mês. Com base nisso, pode-se fazer a comparação entre períodos, o que permite avaliar se houve de fato uma recuperação e se os ganhos nos meses seguintes compensaram a queda de faturamento.

A partir dessa avaliação, que pode ser feita facilmente com a ajuda das ferramentas do Gestão DS, é possível criar uma rotina fácil de análise de desempenho, com a geração de planilhas e gráficos de fácil interpretação que permitem avaliar uma série de métricas, desde dados financeiros até comparativos no número de consultas e de procedimentos

Desta forma, o médico consegue ter em mãos um Raio-x completo e fiel da situação da sua clínica ou consultório, o que viabiliza uma análise fiel e praticamente em tempo real. Com isso, a implementação de controles mais rígidos do negócio se torna uma consequência simples e natural, melhorando assim os processos de tomada de decisão e de planejamento.

Imagem: Pexels

Garanta que sua equipe esteja treinada para a nova realidade

Outro ponto central para médicos que pretendem sair na frente nesse processo de reinvenção e de readaptação ao qual o Mundo foi obrigado é a atenção aos colaboradores. O retorno aos atendimentos presenciais trouxe junto uma série de novos protocolos que devem permanecer por um bom tempo ainda. Essas mudanças, que impactam frontalmente toda a experiência dos pacientes – desde o momento da busca e a da escolha do médico até o acompanhamento após consultas e procedimentos – demandam não só atenção redobrada de quem está envolvido nessa jornada, mas também uma padronização e uma nova forma de enxergar integralmente a assistência a seu paciente.

Por isso, é importante focar em dois pontos principais. O primeiro diz respeito à capacitação em conformidade com as novas regras sanitárias. Observá-las e segui-las à risca vai além de atender às expectativas dos pacientes, mas envolve também a segurança deles, a sua e a da sua equipe. O segundo, que muito tem a ver com o primeiro, se refere à melhoria constante dos processos e rotinas.

Com a ajuda de um sistema adequado e com funcionalidades especialmente construídas para atender às peculiaridades de clínicas e consultórios como o Gestão DS, é possível otimizar, desburocratizar e agilizar muitos passos da jornada do seu paciente, como a marcação de consultas, o envio de resultados de exames, a organização de horários e a manutenção dos prontuários de forma eletrônica. Isso garante mais praticidade e agilidade nos principais funis que costumam surgir na rotina de atendimentos.

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Implemente ações de marketing integradas e específicas para a área médica

Outro fator crucial, embora ainda pouco explorado pelos médicos, é o marketing dos seus serviços. E isso engloba uma série de itens que precisam ser bem trabalhados para a geração de resultados efetivos. Graças à ajuda de ferramentas exclusivas oferecidas pelo Gestão DS, é possível implementar a gestão de relacionamento com seus pacientes. De um jeito fácil é possível construir e gerenciar uma base de dados e fazê-la trabalhar por você, apontando novas formas de atrair clientes e novos procedimentos capazes de melhorar seu faturamento com base na expectativa dos seus clientes. As funcionalidades da plataforma também permitem a identificação de pacientes com maior potencial de retorno financeiro, criando assim um caminho que leva a novas oportunidades de negócio.

Apostar no controle comercial automatizado também é uma forma de deixar seu consultório mais ágil e eficiente, alinhando-o às tendências do mercado, e de liberar sua equipe para a realização de tarefas de maior complexidade. E aqui é importante enfatizar o quanto o CRM (sigla para Customer Relationship Management, ou Gestão do Relacionamento com o Cliente) é um ponto crucial a ser trabalhado dentro do contexto do seu consultório. 

Em linhas gerais, o CRM gerencia todas as etapas de relacionamento com seus clientes, garantindo que ele efetivamente se torne seu paciente. E isso é possível a partir de ferramentas de mapeamento capazes de identificar potenciais interessados em sua base de dados e da automação da comunicação com eles.

Dentro das ações de marketing, ter à mão uma ferramenta capaz de automatizar processos de fidelização não é só sinônimo de economia e de praticidade, mas também de garantia de manutenção dos seus pacientes e da identificação eficaz e assertiva de eventuais interessados em novos procedimentos. E se essa plataforma essencial para o crescimento da sua clínica funcionar de forma integrada com o sistema de gestão de marcação de consultas, o cadastro de pacientes e os dados dos prontuários, as potencialidades se multiplicam. Baseado nessa sinergia, o Gestão DS consegue oferecer um serviço completo e integrado.

A plataforma de marketing do sistema possibilita o uso de opções variadas e personalizáveis com o objetivo de fidelizar pacientes. Nela, é possível selecionar conteúdos a partir do perfil e dos serviços procurados por pacientes atuais ou clientes em potencial, fazer o direcionamento de mensagens segmentadas sobre novos procedimentos ou de tratamentos complementares para quem já é acompanhado por você e até a criação de um canal para o recebimento de feedbaks e que permite o contato direto entre você e seus pacientes logo após as consultas.

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Este material lhe ajudou a se situar melhor no cenário da medicina e nos novos desafios da área diante da pandemia? Confira muito mais informações, dicas e notícias relacionadas à área no blog do Gestão DS, com conteúdos completos especialmente elaborados para as demandas e realidades de clínicas e de consultórios.

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